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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Magnum cria espaço gourmet em shopping de São Paulo

Consumidores podem participar de workshops e aprender receitas feitas com os sorvetes da marca


Rio de Janeiro - A Unilever planeja aproximar a marca Magnum dos consumidores. A empresa criou o Magnum Penthouse, um espaço gourmet na cobertura do shopping Cidade Jardim, em São Paulo. 

O objetivo é oferecer uma experiência de marca em um local onde os consumidores podem relaxar, ouvir música ao vivo e experimentar oito sobremesas feitas com Magnum, criadas por quatro chefs pâtissiers.
A iniciativa pretende ainda divulgar a nova linha Chocolatier Collection, nos sabores Brownie e Trufa, e os consumidores terão a chance de participar de workshops para aprenderem as receitas que levam os produtos da marca. 

O espaço, inaugurado hoje, dia 4, estará disponível até 1º de dezembro e as sobremesas custam entre R$ 12,00 e R$ 14,00. Quem assina o projeto é a agência Hub Brasil.

sábado, 24 de setembro de 2011

Indústria de alimentos sofistica produção de aromas

Por trás daquele gostinho preferido que comemos ou bebemos, um sofisticado setor da indústria química trabalha para fisgar o consumidor, oferecendo como nunca uma variedade de sabores e cheiros. Mas a conquista não é pela boca. Ela é o portal para as emoções que as indústrias querem despertar. De biscoito recheado sabor quindim a macarrão instantâneo com tempero de estrogonofe, as fórmulas têm se sofisticado. Essa diversidade é possível graças aos aromas --aditivos alimentares responsáveis por até 90% do cheiro e do sabor-- dos alimentos industrializados. Sem eles, enlatados, congelados, empacotados e desidratados não teriam nenhum atrativo, já que os processos industrial e de armazenamento destroem grande parte do sabor original.

Porém antes de realizar o lançamento de um novo "gosto" no mercado, as empresas querem entender as motivações que formam as preferências dos consumidores. Alimentar-se, há muito tempo, deixou de ser apenas uma forma de nutrir o corpo. É um meio de obter prazer, algo que qualquer chefe de cozinha almeja e entende bem. Com a indústria de aromas não é diferente.

"Nós vendemos sensações", resume Catarina Polh, química e gerente de avaliação sensorial da IFF Essências e Fragrâncias, multinacional de origem americana que produz aromas para as indústrias de alimento, perfumaria, higiene e limpeza. Em seu departamento, ela realiza testes de degustação com consumidores em busca de suas reações emocionais. Em cada reunião com esse grupo, observa suas expressões faciais e anota seus comentários. "Tentamos evocar suas memórias, desvendar anseios e traduzir esse mundo subjetivo para o nosso corpo técnico", explica. O objetivo, é claro, é agradar sempre.

Para isso, nessas investigações, os pesquisadores tentam entender o funcionamento da memória olfativa, formada pela associação de cheiro e de sabor com momentos da história pessoal. Quem não se lembra com felicidade dos quitutes da infância que enchiam a cozinha de cheiros deliciosos a ponto de nos fazer correr de onde estivéssemos para a beira do fogão? Apenas uma lembrança pode ser suficiente para começar a salivar.

Segundo pesquisadores, comer um desses quitutes novamente --ou algo com o mesmo sabor-- pode abrir gavetas esquecidas na mente e fazer reviver sensações. "É um gatilho para a volta no tempo. Podemos acionar estímulos positivos ou negativos, dependendo das experiências vividas. Não sabemos ainda como isso funciona, mas temos certeza de que é possível", diz Catarina. Segundo a química, a explicação para que muitos pratos prontos não façam sucesso entre os consumidores pode estar na memória olfativa. "Eles não resistem à comparação com a comida caseira."

Perpetuar sensações

O que a indústria de aromas parece ter descoberto é que as pesquisas, até então comuns à sua divisão de perfumaria, poderiam ser muito úteis na área da alimentação. A IFF, por exemplo, cria desde a fragrância de um novo perfume masculino até o sabor de um salgadinho, de uma marca de café solúvel ou mesmo fragrâncias para produtos de limpeza. A técnica de criação para cada um deles é praticamente a mesma, o que varia é a sua forma de aplicação.

"O que buscamos é descobrir quais as nuances que mais agradam ao consumidor. Um morango não é só doce ou ácido. Ele pode ser verde, floral, geléia, polposo", explica a coordenadora de avaliação sensorial da Givaudan, Giuliana Castro. A empresa, de origem suíça, atende gigantes como a Unilever. No caso dos alimentos, a percepção sensorial precisa ser mais objetiva do que a dos perfumes, segundo os especialistas da área.

Mesmo com todas as variáveis, o consumidor tem de reconhecer qual é o sabor ou cheiro que o produto oferece. Se o morango no iogurte anunciado na embalagem não for percebido, o produto será rejeitado.

Em alguns casos, moléculas aromáticas que nada têm a ver com alimentos --mas que reproduzem um sabor marcado na memória olfativa-- podem entrar na composição química para acentuar alguma característica, sendo mais ou menos perceptíveis pelo olfato. As moléculas presentes na fumaça, por exemplo, são usadas tanto para criar molhos com sabor de churrasco como para dar o gosto "defumado" a queijos e embutidos.

"Detectamos que as moléculas aromáticas do plástico são altamente prazerosas. As pessoas associam esse cheiro às lembranças agradáveis da infância, como o do material escolar novo e até o da piscina montada no jardim", informa o aromista Maurício Poulsen, responsável pela criação de grande parte dos aromas da IFF. Segundo Catarina Pohl, as preferências surgem, em parte, como uma forma de perpetuar emoções que determinado momento proporcionou. "Um jantar em que você foi promovido pode ser marcado pelo vinho tomado na refeição", diz a pesquisadora.

Segredo industrial

Na indústria do sigilo, entretanto, nada é confirmado ou descartado. Com a forte concorrência no setor, as empresas não divulgam suas pesquisas nem abrem suas fórmulas --a alma do negócio. "Quem descobrir como esses processos de memória olfativa funcionam estará na frente", afirma Joerg Miller, aromista da Takasago, multinacional de origem japonesa que criou o sabor do Yakult.

Nem a associação que reúne 45 empresas do setor sabe avaliar de quanto é o faturamento desse mercado no país. "Chegamos a US$ 113 milhões em 2003, mas, pela falta de transparência, acredito que esse número seja muito maior. Muitos contratos possuem cláusulas de confidencialidade que impedem a sua divulgação", informa Bárbara Lajus, gerente executiva da Abifra (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Essenciais, Produtos Químicos, Fragrâncias, Aromas e Afins).

Tudo indica que esse mercado tende a crescer. Com a propagação do marketing olfativo nas empresas, a utilização dos aromas extrapola a sua principal função para que eles sirvam também como anunciantes e prendam a atenção do consumidor.

Em sua campanha de Natal do ano passado, a Bauducco apostou no marketing olfativo para promover o seu novo panetone. Em algumas salas de cinema de São Paulo, cada vez que o comercial do produto era exibido na tela, o aroma do pão era lançado no ar. "Enquanto algumas pessoas se sentiram enjoadas com o cheiro, outras saíram do cinema com água na boca, querendo provar o produto na saída", conta Vanice Zanari, diretora da Croma, empresa que executou a ação.

Esse é um exemplo de como as reações emocionais podem ser diferentes. "Não é possível agradar a todos porque a memória olfativa é individual, formada por nossas experiências pessoais somadas a fatores geográficos e culturais do local em que vivemos", explica Catarina Pohl, da IFF.

No Brasil, quanto mais se avança para o norte, maior a preferência por sabores intensos e mais doces, segundo os especialistas no assunto ouvidos pelo Equilíbrio. Aliás, pela diversidade étnica em nosso país, somos considerados um dos povos mais abertos às novidades em relação aos outros países da América Latina, que têm um perfil mais conservador.

Sabor direcionado

Para agradar ao maior número de pessoas, sem erro, as empresas focam seus produtos em nichos de mercado. Aromas específicos já são criados para determinada faixa etária, região geográfica e até comportamento social. O sabor das bebidas energéticas foi feito especificamente para os modernos, adeptos de uma vida social agitada, que gostam de sair à noite. "O sabor causou estranheza no início, quando os energéticos foram lançados, mas estão plenamente aceitos", diz Giulina Castro. E a psicologia estuda como reagimos aos estímulos em cada fase da vida.

Segundo a psicóloga experimental Nielse Bergamasco, a partir da sétima semana de gestação, o embrião começa a desenvolver suas percepções sensoriais. As papilas gustativas aparecem e, com elas, o reconhecimento do sabor doce. "O próprio líquido amniótico é adocicado", diz a pesquisadora, que analisou, nos últimos dois anos, as reações de mais de 60 bebês às mais variadas substâncias e suas preferências.

Nessa primeira fase da vida, o bebê adora o sabor doce, cospe o amargo e faz cara feia para o ácido. A percepção do salgado só vai se manifestar depois de desmamar. Até os cinco anos de idade, as tradições sensoriais da mãe são passadas ao filho. "Por isso, quando um produto se torna habitual, é muito difícil desbancá-lo", diz Poulsen, da IFF.

Quimiofobia

Mas se os efeitos sensoriais estão em estudo, o impacto do consumo desses aditivos na saúde também não está claro, pelo menos para os consumidores. Muitos compram produtos com aromas naturais acreditando serem mais saudáveis que os artificiais, o que não é necessariamente verdade. "Não há provas de que o metabolismo das substâncias artificiais pelas células seja melhor ou pior do que o das naturais", diz o aromista da Givaudan Julian Harada.

"Os aromas naturais são os mais caros, em razão dos métodos de produção, que são mais lentos e de baixo rendimento", explica o aromista da IFF, Mauricio Poulsen. No entanto são os preferidos das empresas. "A indústria de alimentos foge da inscrição 'artificial' no rótulo dos seus produtos por conta da 'quimiofobia' que existe entre os consumidores", afirma Gláucia Pastore, bioquímica responsável pelo Laboratório de Bioaromas da Unicamp. Fica fácil entender por que a maior parte do público não conhece as empresas que desenvolvem essas substâncias.

Porém, independentemente de ser natural ou artificial, quando uma molécula nova é descoberta e a sua viabilidade para o uso em aromas é confirmada, o primeiro passo é encaminhá-la para testes de toxicologia em instituições de saúde ou pesquisa independentes. Apenas substâncias consideradas Gras --a sigla em inglês para "geralmente reconhecida como segura"-- podem ser usadas.

No Brasil, esses testes não são feitos. "Avaliações dos efeitos para a saúde dessas substâncias são caras e demandam tempo. A legislação brasileira segue as recomendações do Codex Alimentarius [organismo internacional formado por representantes da ONU --Organização das Nações Unidas-- para a Agricultura e a Alimentação e pela Organização Mundial da Saúde] e do FDA [órgão de saúde americano]", informa o gerente-geral de alimentos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) Cleber Ferreira dos Santos.

Para receber a autorização da Anvisa, as empresas submetem a fórmula e uma amostra do aroma a institutos nacionais --como o Adolfo Lutz--, que fazem o trabalho analítico e atestam se as substâncias utilizadas estão entre as permitidas pela legislação brasileira. Se tudo estiver dentro dos conformes, a produção industrial é iniciada e, em pouco tempo, o aroma será o gosto de mais uma novidade nos supermercados, oferecido para degustação por simpáticas promotoras de venda. "O senhor gostaria de provar?"

RODRIGO GERHARDT
free-lance para a Folha

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/



sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Aromas que vendem

Atuando diretamente sobre as emoções dos clientes, o marketing olfativo evoluiu e se transformou em importante ferramenta para o varejo

Não há quem resista ao cheiro de pão quentinho saído do forno ou de café coado na hora. Ou, ainda, não tenha boas lembranças ao sentir o perfume da terra molhada e da grama recém-cortada. Hoje, graças à evolução da tecnologia e à busca constante de diferenciais para produtos e marcas, esses e milhares de outros aromas podem ser reproduzidos artificialmente, transformando-se em um instrumento de marketing na disputa pela fidelidade do consumidor.

'Uma boa composição olfativa é capaz de atrair a atenção do cliente, podendo aumentar o tráfego no estabelecimento, a velocidade de visitação, o tempo de permanência dentro da loja, despertar a fome e até a libido', afirma Eduardo Caritá, dono da Croma Microencapsulados, fabricante de microcápsulas para aromatização de ambientes e mídias. Segundo o especialista, com a comunicação olfativa é possível devolver ao consumidor cheiros que ele deixou se sentir, seja por causa da poluição ambiental ou da adoção de embalagens a vácuo.

Diferentemente do que supõe a maioria, a aplicação das novas tecnologias olfativas não se restringe à indústria alimentícia ou cosmética. As montadoras de automóveis há tempos encomendam 'cheiros de carro novo' que atendam às expectativas de seus consumidores. Na Europa, o que agrada é basicamente a mistura de couro e tinta. Já no Brasil é a combinação de vinil, plástico e borracha. 'Cada vez mais a indústria, o varejo e os prestadores de serviço estão buscando um aroma próprio para fixar a imagem', avisa Caritá.

A Croma, que atende clientes como Amor aos Pedaços, Unilever, O Boticário, Natura e a Makro Atacadista, também invadiu o sambódromo carioca no último carnaval com 400 quilos de microcápsulas contendo óleo de casca de laranja, com o objetivo de promover o lançamento de um novo suco de fruta. Sem contar a parafernália adotada no show 'Quatro Estações', da dupla Sandy & Júnior, que fez as fãs entrarem no clima do espetáculo com o perfume de rosas (representando a primavera) e de musgo (inverno).

CONCEITO NOVO - Foram os americanos os primeiros a fazer do aroma um aliado, usando-o para manter os apostadores mais tempo diante das mesas de jogos nos cassinos de Las Vegas, ainda na década de 70. Chineses e japoneses também investiram na aromatização dos mais diversos tipos de ambiente e até o metrô de Paris tem sua própria marca olfativa. No Brasil, esse é um conceito novo, iniciado em meados dos anos 90 por alguns supermercados dispostos a atrair a atenção dos consumidores para áreas de pouco tráfego ou para um novo produto em oferta. Depois vieram as feiras e exposições e, há não mais de três anos, uma demanda mais significativa por parte do varejo e de promotores de eventos artísticos e culturais.

'Com produtos e serviços cada vez mais iguais depois da globalização, o comércio percebeu que precisava buscar um diferencial que mexesse com a emoção. E a criação de uma identidade olfativa cumpre esse papel', explica Valéria Werneck, sócia da Nose Around, especializada em tendências de consumo.

A rede de docerias Amor aos Pedaços foi uma das primeiras a usar a ferramenta, tendo adotado uma composição aromática criada especialmente para ela, com base de morango e chocolate. 'Já tínhamos um apelo visual forte na vitrine e aguçar o olfato só ajudou a completar o conceito de produto montado na hora e sempre fresquinho', explica Alexandre Viana, gerente de marketing. O executivo não sabe mensurar o quanto a aromatização das 42 lojas da rede alavancou as vendas, mas garante que, todos os dias, recebia comentários de consumidores satisfeitos com a novidade.

Escolher um aroma que se identifique com o negócio e, principalmente, que desperte algum tipo de sensação agradável no público da casa é um exercício que pode levar meses e, às vezes, até anos. Segundo Fernando Amaral, sócio da Aromagia, especializada no desenvolvimento de fragrâncias, a comunicação olfativa deve ser personalizada e só cumpre o seu papel quando evoca a lembrança de determinada marca ou lugar.

'Aromas clássicos, disponíveis para todo o mercado, não surtem efeito porque estão veiculados a outras referências e podem confundir o consumidor, que não saberá exatamente onde e quando sentiu aquele cheiro', explica Amaral.

Para colher bons resultados, o caminho é fazer uma análise da faixa etária, origem e hábitos do consumidor, cruzando esses dados com o conceito da marca e do produto. 'Em nenhum momento devemos esquecer que o repertório olfativo tem uma permanência na memória das pessoas maior do que o visual. A imagem fixa-se por alguns meses; o cheiro, por anos. E se apresentar algum envolvimento emocional, pelo resto da vida', afirma Caritá, lembrando que há aromas característicos de cada década (leia o quadro'Festa dos sentidos').

Dentro desse conceito, uma loja voltada a mulheres da terceira idade, por exemplo, não deve dispensar notas olfativas que lembrem pó-de-arroz ou lança-perfume. Ao mesmo tempo, é preciso refutar tudo o que possa ser associado a experiências negativas vividas pelas pessoas, como cheiro de fumaça, sangue, velório e hospital. 'A mais remota ligação com qualquer uma dessas situações pode provocar repulsa no consumidor e deitar por terra todo um trabalho de imagem da marca', alerta Caritá. Outro ponto importante é lançar a dose certa da fragrância no ambiente. Nem mais, nem menos. Independentemente do método utilizado - difusão, aspersão, ventilação, volatilização, evaporação ou nebulização -, a regra é trabalhar no limite mínimo da percepção humana, a fim de não provocar mal-estar ou sensibilização. A fragrância não pode se impregnar na pele, na roupa ou no cabelo das pessoas.

MEDIDA CERTA - Essa foi a principal preocupação de Débora Feder, dona do Nature Marketing, loja paulistana que trabalha com um mix de produtos naturais para banho, artigos de beleza e decoração. 'Já tínhamos uma mistura de cheiros muito forte, embora a área de 200 m2 ajudasse na dispersão', comenta a empresária. Há dois anos, a casa ganhou sua marca olfativa - à base de pau-rosa e plantas da Amazônia - completando o apelo visual, um dos principais responsáveis pelo fluxo de clientes. A resposta foi tão positiva que levou Débora a envasar o novo aroma e a comercializá-lo em embalagens de 100 ml. 'Os 1,5 mil frascos foram consumidos em três meses', comemora.

No hotel-spa Ponto de Luz, em Joanópolis (SP), o resultado também foi positivo. Há dois anos, a Aromagia desenvolveu uma composição olfativa personalizada à base de capim-limão, gerânio e alecrim. O aroma é espalhado em diferentes concentrações nos quartos, no lobby, nas salas de meditação e até no restaurante.

'Gastamos cerca de R$ 2 mil para desenvolver a composição exclusiva e uma média de R$ 100 mensais para a manutenção', revela Jorene Ferro, diretora-administrativa. A fragrância rapidamente se tornou a marca registrada do Ponto de Luz, que hoje vende uma média de 60 sprays e 40 frascos de óleos essenciais por mês, garantindo, além do marketing, uma fonte de renda.

Embora o interesse do consumidor pelos aromas seja evidente, ainda não há estudos que meçam exatamente a eficiência do marketing olfativo como trampolim para aquecer as vendas ou fidelizar a clientela. Uma pesquisa comportamental realizada na Alemanha, porém, sinaliza que o uso de fragrâncias personalizadas aumenta em 15,9% o tempo de permanência do cliente no ponto- de-venda, em 14,8% a probabilidade de compra e em 6% as vendas reais.

Os especialistas enfatizam, contudo, que se trata de uma ferramenta extremamente versátil. Isso porque o aroma como instrumento de marketing pode ser usado de várias maneiras e em momentos diferentes, dependendo da verba e das necessidades de cada empresa ou produto. Vale adotar uma fragrância personalizada em amostras-grátis, anúncios, embalagens, cartazes, folhetos promocionais e outdoors. Os perfumes especiais também podem chamar a atenção dos consumidores para áreas específicas do ponto-de-venda em datas comemorativas como a Páscoa e o Natal. Em ambientes fechados, como indústrias, hospitais, consultórios médicos, hotéis, aeroportos e spas, ou ainda em festas de casamento, shows e desfiles de moda, uma combinação olfativa bem afinada pode aumentar a capacidade de concentração, estimular o relaxamento, diminuir a tensão ou mesmo provocar uma certa euforia.

MAIS EM CONTA - Segundo Ricardo Robertoni, gerente geral do Grupo El Morya, especializado em marketing de relacionamento, levará pelo menos mais cinco anos para o mercado assimilar a novidade e aplicá-la com mais propriedade, colhendo efetivamente bons resultados. 'O que temos hoje são ensaios que às vezes duram apenas um mês e que são suspensos na primeira decisão de cortar custos', ressalta. Em sua opinião, é essencial que a identidade olfativa seja adotada em todos os momentos de contato com o público-alvo, a fim de ser reconhecida como uma marca, sem similares.

A boa notícia é que, ao contrário de outros tempos, quando o preço era um fator proibitivo para pequenos empreendimentos, hoje já é possível encomendar uma fragrância personalizada a partir de R$ 2 mil e aromatizar um espaço de 200 m2 gastando R$ 500. 'Em 1995 essa mesma área não saía por menos de US$ 1 mil', afirma Caritá. Por tudo isso, o marketing olfativo ainda tem muito terreno a conquistar, mas com certeza será uma ferramenta muito importante, pois os aromas falam diretamente às emoções, e elas são decisivas na hora de comprar.


FESTA DOS SENTIDOS | Resgatar sons, cheiros e formas típicas de décadas passadas ajuda a atrair o consumidor

1950
VISUAL
Topete masculino; ato de fumar.
AUDITIVO 
Rock'n'roll.
OLFATIVO 
Gumex; lança-perfume; naftalina; óleo de peroba; creolina; cera Parquetina; Varsol; pó-de-arroz; English Lavander; Seiva de Alfazema; Leite de Rosas e Cashmere Bouquet.
GUSTATIVO
Aveia; cocada; broa de milho; Coca-Cola; Diamante Negro; cigarro de chocolate Pan.

1960
VISUAL
Art-decô; hippies; Flower Power (Paz e Amor).
AUDITIVO
Bossa Nova; Pop Music.
OLFATIVO
Água sanitária; lustra-móveis Shell; cera de sapato Nugget; talco Johnson; sabonete Phebo; Acqua di Selva; Brilcrem; Fidji; Rastro.
GUSTATIVO
Bis; Seven Up; Sonho de Valsa; Chicabon; goma de mascar Ping-Pong; Ki-suco; Guaraná caçulinha; hot-dog; Grapette; doce de leite.

1970
VISUAL
Psicodelismo.
AUDITIVO
Discoteca; rock de protesto.
OLFATIVO
Pinho Sol; Brüt; Wild Musk; Charlie; Anäis Anäis; Acqua Fresca; Pinho Campos do Jordão; Opium.
GUSTATIVO
Batata frita industrializada; Danone; Yakult; hambúrguer; balas Soft.

1980
VISUAL
Punk e Yuppie.
AUDITIVO
Discoteca; Heavy Metal.
OLFATIVO
Limpadores; amoníaco; Drakkar Noir; Azzaro; Paris; Poison; Giorgio.
GUSTATIVO
Tang; Suflair; Toblerone; iogurtes flavorizados; McDonald's; Halls.

1990
VISUAL
Clubber.
AUDITIVO
Dance; Techno.
OLFATIVO
Poluição atmosférica; CK One; Polo; Kenzo; Fahrenheit; aromaterapia.
GUSTATIVO
Comida congelada; microondas; enlatados; bebidas importadas.

2000
VISUAL
Tribos; tatuagens; piercings.
AUDITIVO
Pós-techno; e-music; rap.
OLFATIVO
Essências da Amazônia.
GUSTATIVO
Barras protéicas; complementos alimentares; bebidas isotônicas; power drinks.
FONTE: CROMA MICROENCAPSULADOS.


Fonte: http://revistapegn.globo.com/

Marketing olfativo se estabelece como alavanca de vendas

Marcas veem oportunidade para impactar consumidor de forma diferente e obter receita extra

Rio de Janeiro - O marketing olfativo tem se ampliado e amadurecido no Brasil. A criação de identidades para as marcas a partir dos cheiros tem sido tão bem sucedida que, em alguns casos, os consumidores chegam a querer levar os aromas dos pontos venda para suas casas.

A oportunidade foi percebida por empresas como Equus e Any Any, que estenderam suas linhas e criaram um elo com os consumidores fora das lojas a partir de produtos que carregam a essência das marcas.
Ações pontuais também são uma forma efetiva de aplicar o marketing olfativo. Em datas comemorativas, a ferramenta pode atrair o consumidor e potencializar as vendas. Esta foi a estratégia utilizada na última Páscoa pelas redes de supermercados Nacional e Mercadorama, do Walmart, presentes nos estados do Paraná e Rio Grande do Sul.

As empresas aromatizaram as gôndolas com cheiro de chocolate, entre os dias 6 de março e 24 de abril. Na mensuração dos resultados, a companhia contabilizou um aumento de 30% no faturamento em comparação ao mesmo período de 2010. A utilização do conceito por si só não é determinante para o desempenho das vendas, mas pode contribuir.

“O marketing olfativo é um adicional para promover uma experiência diferenciada. A expansão das vendas fez parte de uma estratégia maior, em que a aromatização estava inserida”, afirma Sandra Valenga, gerente de marketing do Nacional e Mercadorama.

Shoppings devem saber administrar conceito

O shopping Granja Vianna também realizou uma ação pontual, no Dia das Mães deste ano, usando o marketing olfativo. Nas compras a partir de R$ 400,00, os consumidores puderam trocar suas notas fiscais por kits de aromatização para ambientes e veículos com o perfume do shopping. A estratégia pretendia criar um vínculo emocional entre o estabelecimento, inaugurado em dezembro de 2010, e os clientes.

Além de tentar promover uma identidade olfativa, os shoppings têm o desafio de administrar o espaço ocupado pelas lojas e seus respectivos aromas, sem que o consumidor passe por uma confusão de perfumes e permitindo que cada marca tenha seu terrítório respeitado.

Não há critérios que regulem este processo, mas é possível que as marcas convivam em harmonia, sem prejudicar uma a imagem da outra. O ideal é que os pontos de venda tenham cheiros próximos da temática de cada empreendimento.

“Todo shopping é construído sob um conceito para atingir um público. Isso leva em conta a seleção das lojas e marcas que farão parte do estabelecimento e poderão utilizar fragrâncias da mesma família, compondo um conjunto maior. No caso do Granja Vianna, como um shopping verde, buscamos notas florais”, explica Andre Svartman, gerente de marketing do shopping Granja Viana.
Fatores que implicam na construção da identidade olfativa
O processo de branding olfativo envolve etapas que estudam o conceito das marcas, cores usadas nos logotipos, visão e missão das empresas, objetivos a serem alcançados e até variações geográficas.

Marcas com presença expressiva no litoral, por exemplo, buscam criar aromas que lembram o mar, enquanto empresas do interior do Brasil procuram por essências que lembrem o campo, como flores. Isso não é uma regra, mas um dos critérios de identificação.

Os objetivos também são fundamentais para a criação da identidade visual. Há certos cheiros que atuam como estimulantes, na maioria das vezes ligados à comida, como de café, chocolate e pão. Associar estes aromas aos produtos é contribui para o processo de decisão de compra.  As possibilidades de aplicação do marketing olfativo é outra vantagem para as empresas.

“Apesar de o conceito ter um apelo para a moda, ele pode ser explorado em consultórios, clínicas de estética, aromatização de domicílios e produtos, como possibilidade para as empresas de ganhar uma receita adicional”, afirma Clóvis Alves, diretor da agência Bio Mist, agência que trabalha com marketing olfativo desde 2000.

Aromatização estimula ampliação de linha

Entre as empresas que aproveitaram o sucesso do marketing olfativo para ampliar seus negócios estão a Any Any e a Equus. Assim como acontece com outras marcas, o interesse dos clientes pela fragrância encontrada nas lojas levou as companhias a expandirem suas linhas com cosméticos e aromatizadores que levam o cheiro dos pontos de venda para a casa dos consumidores.

A Any Any já nasceu com uma identidade olfativa, em 1994. “Em 1996, as consumidoras já manifestavam interesse em levar para casa o aroma das nossas lojas. Foi aí que enxergamos a oportunidade para criar uma linha de cosméticos da marca. Hoje, contamos com sachês decorados e difusores de ar com a fragrância da Any Any”, diz Camila Meurer, coordenadora de marketing da empresa especializada em underwear feminino e masculino.

Embora a venda destes produtos representem 6% do faturamento, o maior benefício é manter a marca na memória dos clientes. A Equus também lançou um home spray, em 2007, com o cheiro das lojas, após iniciar sua estratégia de aromatização, em 2005. Um dos fatores que podem ter estimulado os consumidores a desejar adquirir a essência é o perfume deixado nos produtos da marca de jeans. 

“Ao levar o aroma da Equus para casa, permitimos ao consumidor estar em contato com a marca por mais tempo. Assim, começamos a fazer parte do dia a dia dos clientes, inconscientemente. Mesmo que o home spray represente apenas 2% das vendas, tornar a marca familiar para os consumidores é o maior benefício ao utilizar o marketing olfativo, explica Priscila Tesser, gerente de marketinga da Equus.

Heineken lança plataforma musical durante Rock in Rio

Marca apresenta Human Equalizer em primeira mão no Brasil, pelo Facebook

São Paulo - A Heineken escolheu o Rock in Rio para o lançamento da sua nova plataforma musical mundial, a Human Equalizer.

Esta nova plataforma reforça a universalidade da marca também na música, e reconhece que os jovens adultos da atualidade transitam entre muitos estilos e gêneros musicais sem preconceitos, porque pela primeira vez na história o jovem tem acesso fácil a todos os tipos de música na ponta dos dedos no meio digital ou nos seus tocadores mp3.

Os fãs da marca no Facebook serão os primeiros a poder assistir ao vídeo Human Equalizer, em que os jovens dançarinos de diversos gêneros musicais são “equalizados” num inovador logo de Heineken.

O filme também será exibido no telão durante a abertura do Palco Mundo na Cidade do Rock onde os jovens poderão experienciar o Human Equalizer ao vivo, numa experiência inesperada, interativa e marcante, tão importante quanto a música para eles em eventos de música ao vivo. 

Além disso, a partir de hoje, o concurso cultural “Eu Vou ao Rock in Rio”, também na fan Page do Facebok, irá presentear os consumidores com dezenas de pares de ingressos para curtir os shows na Cidade do Rock. Mais uma oportunidade para o público de estar presente em um dos maiores festivais de música do mundo.

Música sempre foi um elemento presente no DNA de Heineken, que apoia mais de 100 festivais musicais em todo mundo. No Brasil, acaba de renovar o patrocínio ao SWU por mais cinco anos, e globalmente a marca já está associada a grandes eventos de música como o Coachella, nos EUA; FIB, na Espanha; Oxegen, na Irlanda e nos EUA; e Jammin, na Itália.

domingo, 18 de setembro de 2011

Uso correto do marketing sensorial pode ajudar a vender mais

Com a ajuda de consultorias ou de maneira empírica, lojas apostam nos cinco sentidos humanos para ganhar mais dinheiro


A música ambiente de uma loja ou o cheiro que os clientes sentem ao entrar nela podem não ser por acaso. Muitas vezes, o que está por trás disso é a aplicação do marketing sensorial, uma estratégia que visa despertar os cinco sentidos do consumidor para vender mais. Esse tipo de ação faz o cliente associar a marca a uma sensação boa, o que o leva a comprar mais, explica Marcelo D´Emidio, chefe do departamento de marketing e pesquisa da graduação da ESPM.

Segundo D’Emidio, o conceito do marketing aliado aos cinco sentidos chegou ao Brasil há cerca de quatro anos e as primeiras unidades a adotá-lo foram lojas conceito, aquelas em que o principal objetivo é transmitir a identidade da marca, sem necessariamente vender o produto em si. Depois, os varejistas perceberam que mexer com os sentidos poderia ser bom para os negócios e adotaram alguns princípios dessa estratégia nos pontos de venda convencionais. D’Emidio acredita que qualquer negócio feito para o consumidor final (B2C) pode se valer do marketing sensorial.

Para mostrar como um mesmo sentido pode ser trabalhado de maneira diferente em lojas conceito e tradicionais, D’Emidio dá um exemplo: “Enquanto na primeira você opta por um som ambiente que de alguma forma transparece a identidade da marca (mais lento ou mais urbano, por exemplo), na unidade convencional a música escolhida é aquela que aumenta o consumo, sem ter necessariamente alguma ligação com a marca.”

Com o crescimento do uso do marketing sensorial no varejo, aumentou também o número de consultorias especializadas em implantá-lo. “A consultoria traz conhecimento científico e pesquisas embasadas, que ajudam na hora de decidir em qual sentido do cliente a empresa deve investir. Há, porém, empreendimentos que aliam os sentidos às suas marcas de maneira empírica, como as padarias e docerias. Afinal, é quase óbvio que o cheiro dos alimentos ali servidos atrai mais gente”, afirma D’Emidio.

A rede de nuts glaceados Nutty Bavarian é um exemplo de empresa que aplica o marketing sensorial de forma empírica. Com um faturamento de R$ 18 milhões em 2009 e meta de atingir 130 pontos de venda nos próximos anos em todo o país, com foco no Rio de Janeiro e Santa Catarina, a franquia tem no marketing sensorial o seu principal motivador de vendas.

Numa pesquisa realizada pela empresa com pouco mais de 300 frequentadores de shoppings, 66,7% deles afirmaram ter sido motivados a comprar os produtos da Nutty Bavarian quando sentiram o cheiro das nuts glaceadas. O estudo mostrou ainda que a primeira sensação que vem à cabeça das pessoas quando elas pensam na marca é o odor adocicado das nozes, avelãs e amêndoas. “O produto feito na hora exala um aroma que atrai os clientes e cria uma identidade que é quase tão forte quanto a imagem de nossos quiosques. E isso sem precisar borrifar essências nos pontos de venda, como fazem muitas redes”, conta Adriana Auriemo, responsável pela criação da franquia no país.